
»Viriato Moura (28-06-2010)
INJUSTIÇA PRECONCEITUOSA
A maioria de nós é muito injusta com os idosos. Porque tenta lhes suprimir o direito da existência plena.
Nossa benevolência com os jovens, a quem permitimos existir plenamente, choca-se com as limitações que queremos impingir aos idosos.
Quando alguém com 20, 25, 30 anos ou um pouco mais faz algo ridículo, achamos engraçado, próprio da juventude. Enquanto que basta que um idoso se atreva a fazer coisas que um jovem faz habitualmente para que o achemos ridículo.
Ao avançar pela terceira idade, a pessoa vai perdendo a cor, o brilho, e até o significado à percepção de seus convivas. Às vezes se torna, ao olhar de mais jovens, invisível.
Os velhos, todos sabem, não nasceram idosos. Não são tão-somente velhos; são pessoas que viveram mais. Em suas lembranças, porém, ainda habita a criança de 10 anos que um dia foi, que se encantou com o lúdico dos brinquedos da vida; o jovem de 16 que se apaixonou pela primeira vez; o adulto de 22 que sonhava em ser alguém. Neles há o homem ou a mulher que constituiu família, teve filhos, netos e até bisnetos... Amou e foi amado. Sorriu, chorou. Se emocionou. Viu tantos nascerem e morrerem.
O corpo, com os vincos dos anos, não é como máquina corroída pelo uso. É um ser vivo e racional, muito mais que matéria danificada pelo tempo. É história de uma vida vivenciada, condição esta que só o viver oferece.
Subestimar os idosos a ponto de tentar roubar-lhes o direito de ser gente de modo pleno, é uma imperdoável ingratidão, lamentável impropriedade e inaceitável injustiça. Os idosos, como cidadãos que são, têm todo o direito de usufruir de seus direitos. Direito de ir e vir, amar, ser amado, divertir-se, cultivar sua auto-estima, fazer sexo e tudo o mais que os façam se sentir vivos, felizes.
Tratar os idosos com preconceito é apontar uma arma para o coração do próprio futuro. Que é angustiadamente incerto para quem ainda não chegou lá. Mas futuro hoje presente para aqueles agraciados pela vida longa, que não merecem ser punidos por algo que a maioria dos seres vivos mais deseja: viver muito.

»Viriato Moura (25-06-2010)
A PRISIONEIRA
A secretária anunciou que ela viria. Precisava ser atendida logo que chegasse, porque era uma prisioneira. Na hora marcada, compareceu acompanhada por um pequeno aparato policial. Deu alguns passos em direção a uma fugaz liberdade, quando deixou do lado de fora do meu consultório os agentes que a escoltavam.
Maria de Nazaré , uma morena jovem, de olhar expressivo, gestos medidos, mãe de dois filhos ainda pequenos. Veio consultar-se sobre um problema ortopédico que a afligia. Mais aflição do que problema. Foi esclarecida sobre o que tinha e recebeu as orientações médicas que precisava.
Durante a consulta, Nazaré abriu espaço para falar sobre sua inocência e das provações vivenciadas nos nove meses de reclusão, gestados sob os signos da angústia, da revolta , do sofrimento. O crime que a condenou foi o de tráfico de drogas. Pegou quatro anos. Todavia, tem esperança de ver sua pena revista. Alegou ser detenta bem comportada.
“Sou inocente, doutor”, insistia, categórica, como se eu fosse um juiz que pudesse absolvê-la. Atribuiu sua desdita à acusação feita por seu cunhado, que morava em sua casa quando lá foram encontrados pela polícia pacotes de cocaína. Nazaré falou-me de seu inferno como quem quisesse exorcizá-lo de si. Reclamou da cela muito pequena, onde mal podia se mexer; da convivência promíscua, inclusive com doentes contagiantes; da comida intragável, tanto pelo gosto como pela falta de higiene. Tédio sem fim. Pior: ela sofre de claustrofobia. Havia uma semana, teve uma crise. Queria morrer.
Em dado momento de seu sofrido desabafo, percebi mudanças no olhar de minha paciente. Como se uma luz de satisfação o iluminasse. Isto aconteceu quando desviou sua atenção para uma porta envidraçada que deixa ver a rua, com seu movimento de vida e liberdade. Em meio a essa contemplação reflexiva, eis que chega, como um convidado com hora marcada, um saltitante passarinho. O galhos delgados das roseiras do jardim da varanda de meu consultório serviam de palco para a graciosa coreografia daquele oportuno visitante de final de tarde. Nazaré, vendo a vivacidade do bichinho que chegara, disse-me que os passarinhos trazem as almas boas do céu para nos visitar. Pouco depois, lá se foi o nosso pequerrucho, com suas asas da cor da noite, alçando seu vôo de liberdade.
Já era hora de a prisioneira voltar para seu destino. Sua fisionomia, tensa no início da consulta, agora parecia aliviada, e um sorriso de sincero bem-estar lhe adornava o rosto. Do pouco que falei para ela, disse-lhe sobre a esperança de alcançar sua tão sonhada liberdade. Não prescrevi qualquer outro remédio para a minha paciente. Mas tive a convicção de que para nenhum enfermo que atendi naquele dia, mesmo para os que suprimi dores intensas e outros sofrimentos, fui tão competente como médico o quanto fui para Maria de Nazaré.

»Célia - MS (23-06-2010)
Oi querido poeta, Passei pelo seu cantinho
Saudades de ti.

»Viriato Moura* (23-06-2010)
RECORDAÇÕES DO VELHO SÃO JOSÉ
As lembranças que tenho do Hospital São José podem ser divididas em três períodos de minha vida. O primeiro, da infância e adolescência. Depois, quando estudante de medicina. Finalmente, quando aqui cheguei como médico.
O Hospital São José, localizado na rua Irmã Capelli, no centro de Porto Velho, foi o nosocômio referência de nossa população desde sua inauguração, no dia 7 de setembro de 1929, então de propriedade da Prelazia de Porto Velho, sob o comando de Monsenhor Pedro Massa. Em sua segunda fase, a partir de 1943, o hospital foi adquirido pelo governo do Território do Guaporé e teve como seu primeiro diretor o Dr. Ary Tupinambá Penna Pinheiro.
Quando ainda pertencia à congregação salesiana, o hospital era administrado pelas freiras, que o mantinham impecavelmente limpo e bem arrumado. Depois que passou para o governo, o aspecto organizacional daquela unidade de saúde perdeu qualidade.
Meu primeiro contato com o velho hospital do passado de nossa cidade foi como visitante de enfermos amigos de nossa família, pioneira nesta região. Daquele tempo, quando ainda muito jovem, lembro-me da figura curiosa (e atemorizante para as crianças) de Morcego. O serviçal, de nome Gilberto, que era porteiro daquela unidade de saúde, recebeu o apelido face sua semelhança com o mamífero hematófago voador. Negro, de baixa estatura, era dado a “voar” irritado atrás de infantes que tentavam visitar alguém no hospital. Morcego detestava crianças. Estas, por sua vez, tinham medo dele. Mas mesmo assim, não perdiam oportunidade de lhe chamar pelo epíteto, principalmente quando lhes barrava a entrada no hospital. Transtornado com isso, ele sempre retrucava com muitos palavrões. A propósito, a despeito de não ter sido bem aquinhoado fisicamente, era um incorrigível admirador das beldades de então, em particular de suas belas pernas, que acintosamente fitava. Certa ocasião, uma delas, incomodada pelo olhar voluptuoso de Morcego para sua torneada anatomia, desferiu-lhe certeiro tapa no rosto.
Quando estudante de medicina, entre os anos 1969 e 1974, nos períodos de férias que passava aqui, frequentava o hospital em busca de conhecimentos. Lembro do dia em que o Adelino, meu tio, o primeiro médico de nossa família, pediu a seu amigo Dr. Rachid Jaudy, cirurgião que deu importante contribuição a esta comunidade, que permitisse que eu o auxiliasse em suas cirurgias. Rachid, gente boa que só ele, convidou-me para participar de uma apendicectomia, que iria proceder em seguida. Por sorte minha em termos de aprendizado, o paciente possuía um apêndice retrocecal, condição anatomicamente mais rara. Com grande habilidade, o exímio cirurgião ao tempo em que me explicava os tempos cirúrgicos, retirava o apêndice infeccionado. Nesse período, também acompanhei , no ambulatório de clínica médica, o Dr. Hamilton Raulino Gondim, médico de nomeada que também deixou seu nome gravado na história dos benfeitores desta terra. Com o Dr. Ary Pinheiro, tive pouco contato. Mas o admirava pelo vasto saber. Além de médico, era profundo conhecedor de nossos índios, de nossas flora e fauna.
Depois de concluir minha especialização em ortopedia e traumatologia, no Rio, retornei a Porto Velho para começar minha atividade profissional, em março de 1977. Vindo de um centro avançado, foi um choque para mim atuar num hospital de tão limitadas condições técnicas como o São José. Assustava-me ver o descaso de alguns para com a assepsia e a anti-sepsia. Era comum ver cirurgiões entrarem nas salas cirúrgicas sem as sapatilhas sobre os sapatos, geralmente empoeirados ou sujos de lama (a maioria de nossas ruas não era calçada ou asfaltada). As máscaras, quando usadas, por vezes eram erroneamente colocadas abaixo do nariz, justamente a maior fonte de contaminação da face da equipe cirúrgica. O índice de infecção pós-operatória, diante disso, era alto.
O Hospital São José funcionou até 12 janeiro de 1983, quando foi inaugurado o Hospital de Base Ary Pinheiro, construído no governo de Jorge Teixeira. Sendo seu primeiro diretor, tive a oportunidade de participar ativamente desse que foi o mais importante momento da assistência médico-hospitalar da história de Rondônia. O velho e cansado de guerra Hospital São José e a Maternidade Darcy Vargas davam lugar àquela imponente estrutura de 400 leitos e avançada tecnologia. Nascia assim um novo tempo para a medicina em Rondônia.
*Médico, escritor, poeta, artista plástico, membro da Academia de Letras de Rondônia e Presidente da Academia de Medicina em Rondônia

»jose valdir (20-06-2010)
Não me lembro que haja outro semelhante aos meus queridos amigos, Menezes, Viriato e Anisio, com tanta facilidade para trazer a todos nós belas e inolvidáveis lembranças que viveu Porto Velho-RO, desde que era apenas um projeto de vida nessa imensidão região amazônica, sem aquela pesada e convencional forma literária, que mais parece querer provar o monopólio e a propriedade que têm sobre os fatos.
Não faz muito tempo, conversei com o maior carnavalesco, sambista e poeta Bainha e, nessa conversa, descobri outra memória, biblioteca cultural fantástica, célula vida da história de Rondônia.
Ainda bem que contamos com a presença dessas preciosidades neste Mural.
Ainda estou estudando a forma de como, o compadre Dada e eu (proposta dele), vamos trabalhar todo o material já postado no Mural, para transformá-lo num extraordinário livro.
Não é fácil, mas um dia sai.
Adoro a presença desses ícones neste Mural.

»jose valdir (18-06-2010)
Nossa! Esse elogio veio do céu!
Obrigado Graça.
E tudo por causa de querer fazer o melhor para e pelo ledor!
Valeu!
Vou continuar caprichando nas qualidades e lapidando o que ainda é áspero!

»Graça Baẽta - Rio de Janeiro (18-06-2010)
É Fácil falar de uma pessoa especial como o poeta Valdir Pereira.
Difícil seria ñ ter o q falar durante o pouco tempo q o conheço. Porém me parece esta distância de tempo tão pequena, em relação à condulta ética, moral e humana deste escritor q, além de tudo o q se trata de inteligência, é uma pessoa esplêndida! Em caráter e carisma.
Confesso a todos q jamais vi com poucas restrições, poucos escritores presentear livros...e ele assim o fez comigo. Mandou-me aqui no Rio de Janeiro um de seus livros magníficos!!! Deu-me um de poesias, onde, em momentos q necessito de dedicar a alguém uma palavra de carinho recheada de poesia, é lá em suas páginas q percorro.
Particularmente, ñ costumo chamá-lo de querido amigo, e sim, amigo querido! E ai está minha admiração por este ser humano especial, e poeta das rosas q encanta e perfuma minha vida com a essência de suas lindas poesias! Amo de coração este escritor:"José Valdir!!!!

»Viriato Moura (18-06-2010)
DE CARA COM O CONTRADITÓRIO
Poucas são as pessoas que se postam serenas diante da contestação de suas palavras, de seus atos. As críticas, ainda que anunciadas como construtivas, reforçadas com o apaziguador “é para seu bem”, raramente são assimiladas como tal.
Encarar o contraditório sem reação emocional negativa requer amadurecimento e consciência de que podemos não estar certos, ainda que tenhamos convicções fortes de que estamos. Porque muitas coisas parecem que são, têm tudo para ser, porém não são.
Quem se propõe a evoluir em direção do acerto precisa lidar bem com aqueles que não concordam consigo. Isto, todavia, não deve ser sentido tão-somente por uma posição adversária que quer nos combater, quer nos desqualificar; prejudicar-nos, em suma.
As discordâncias, os confrontos de idéias, são salutares para qualquer relação humana que pretenda se construir cada vez melhor no campo pessoal e coletivo. Aquele que sente o contestador tão-somente como um adversário a combater perde a oportunidade de aprender com ele e até de se aliar a ele se for o caso. O célebre escritor francês Victor Hugo endossa, em citação figurada, essa assertiva: ”Do atrito de duas pedras chispam faíscas; das faíscas vem o fogo; do fogo brota a luz”.
Ser tomado pela luz do conhecimento requer estar preparado para enfrentar a contestação. Mas esse confronto não deve ser contaminado pelas emoções menores que geram a discórdia. Há os que, em nome da vaidade pessoal, mesmo sabendo que transitam por via errada se mantém nela apenas para não se submeter à opinião daqueles que sabem do caminho certo. Refutam até, a ponto de desobedecê-los, os sinais explícitos de que o abismo se aproxima.
A humildade de nos aceitarmos equivocados quando, comprovadamente, estamos não é uma ato de subserviência, mas de sabedoria.
Subserviência é aceitar, sem querer, o que está errado, o que não é justo.
Ao darmos de cara com o contraditório, não nos assustemos, se acharmos que temos nossas razões. A atitude mais sábia é captar, com calma e atenção, espírito desarmado, o que quem discorda de nós tem a dizer. Somente depois de entendermos suas razões e compararmos com as nossas é que teremos melhores condições de decidir com quem está a razão.
Mas isso só será possível se nos despirmos dos sentimentos menores que atravancam a nossa caminhada em direção a luz do saber. Livres deles o quanto possível e imbuídos das verdadeiras razões para buscar a razão verdadeira, certamente a encontraremos na maioria das vezes.

»Maria Vânia Leite Negrão _18-06-2010 (18-06-2010)
0lá Mano, depois de estar ausente algumas dias, volto ao convivio deste Mural prestigiado por tantos amigos intelectuais e importantes.
Quero registrar minhas saudades, juntamente com meu esposo Luis Negrão, que também e um assídio leitor e admirador do Poeta e cunhado que tem, como se diz...pois pois, sempre exclamando, quando ler a página das Variedades.
Hoje está explêndida, e quero resaltar os pensamentos mais especiais que nos faz meditar e sentimos dentro vivendo tal como se ... É e somos! Tomo a liberdade de citar no espaço que me permitdo aqui, pensamentos para uma reflexões.
"Devemos viver a vida de forma que nossos descendentes tenham orgulho de nós como seus antepassados."
(Shmuel Lemle)
"Não há propósito mais sublime na vida de alguém, que amar ao próximo como a si mesmo; mas, na impossibilidade dessa atitude divina, respeitar o outro é, igualmente, um gesto similar!"
(josé valdir pereira)
"Atrás de ti vais encontrar tua essência a velar pela tua integridade; tua consciência a zelar pela tua autenticidade, para que ajas sempre de forma correta e não despertes sofrimento ao teu coração!"
(josé valdir pereira)
"Todo mundo tem um talento. O que é raro é a coragem de seguir o talento para o lugar escuro onde ele leva."
( Erica Jong)
Obrigada a todos que nos prestigiam com relatos diversos, principalmente com os que resgatam a História de nosso Querido Estado de Rondonia, e poesias que alimentam nossos espíritos!
Saudades de todos, mais saibam que estou todos dias aqui presente e acompanhando-os.

»Menezes (18-06-2010)
Ainda sobre os astros do futebol de Rondônia. Não poderia olvidar-me daquele que nos deixou meses idos. Refiro-me a Gainete, cuja presença aos sábados e domingos marcava-a entre amigos, no Mercado Central de nossa Capital, na banca da Dona Zenilda. Brilhou em especial no Moto Clube. Hoje fulgura na constelação d"outra galáxia.
Conforme já reportei reiteradas vezes, neste Mural de Recados, Gainete reclamava o porquê da demora da entrega à população do Mercado Central, o qual vinha passando por restauração, revitalização ou seja lá o que for. Não viveu para ver o logradouro revitalizado(sic). Os amigos da Confraria da Banca da Tia Zenilda, todavia não o esqueçeram. É só conferir aos sábados e domingos, tão logo o alvorecer. Da pauta a ser tematizada, o extinto arqueiro é assunto que não falta e segundo Jairo Guedes, Porta-Voz da confraria, em breve Gainete será cantado em prosa e verso. Quiçá o imortal Lúcio seja o empreendor de tal obra literária. Afinal de contas, no carnaval passado, Gainete foi tema de um Bloco Carnavalesco.
Mas, deixando de lado as reminiscências. Vamos ao presente, amigo José Valdir. Que coisa boa, hein! - Caso prospere. Reporto-me à decisão do T.S.E, cuja Corte em atendimento à uma consulta popular decidiu que aqueles possuidores de condenações proferidas por Colegiado, mesmo anterior ao pleito eleitoral de outubro próximo, estarão impedidos de concorrem a cargos eletivos, ou seja, estão inelegíveis. E mais: os Tribunais Regionais Eleitorais deverão seguir tal ditame. Tenho que até o final do ano, muitas Fundações pseudo-assistenciais cerrarão suas portas e quiçá também, seus fundadores recolham-se às grades. Não às grades de magníficas mansões, mas as de um cubículo. Espero que a decisão do T.S.E seja também pacífica no S.T.F vez que tal Corte de Justiça, por certo será instada acerca do assunto, proximamente.