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Variedades

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30-06-2010 - Euclides da Cunha - Vida e Obra
É inegável a importância de Euclides da Cunha para a história e literatura brasileira. Tudo isso se deve a uma única obra, Os Sertões. O livro publicado em 1902 foi o resultado de uma minuciosa pesquisa do território e da vida do povo de Canudos, e rendeu a Euclides uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. No entanto, muitas outras glórias e tristezas preencheram o caminho do escritor, que morria há 100 anos atrás.
VIDA
Tudo começou no dia 20 de janeiro de 1866, no pequeno município de Cantagalo (RJ), que hoje tem seu 3º distrito com o nome de Euclidelândia, em homenagem ao escritor. A vida trágica se iniciava desde então, quando perde a mãe, Eudóxia Moreira da Cunha, aos 3 anos de idade. A partir daí, passa a ser educado pela tia Rosinda Gouveia em Teresópolis. Dois anos depois, outra tragédia: a tia também falece. Com o infeliz acontecimento, Euclides muda-se novamente para a casa de outra tia: Laura Moreira Garcês em São Fidélis, no Rio de Janeiro. Principia os seus estudos ainda no Rio e, no ano de 1878, passa a estudar no Colégio Bahia, em Salvador. Um ano depois, volta para o Rio para finalizar os seus estudos primários.
Em 1884, funda com alguns colegas o jornal O Democrata, publicado no colégio onde estudava. E, no ano seguinte, é admitido na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, mas abandona por motivos financeiros. O que o leva a estudar na Escola Militar da Praia Vermelha. Em 1888, durante a visita do ministro de Guerra, o conselheiro Tomás Coelho, lança o sabre sobre o chão como ato de protesto ao regime monárquico. Diante disso, é mandado para a prisão e transferido para a Fortaleza de Santa Cruz. No fim, acaba sendo perdoado por D. Pedro II. Esse episódio já revelava o grande espírito crítico de Euclides da Cunha, visto posteriormente nos periódicos onde trabalhou.
Um ano depois, após a proclamação da República retorna à Escola Militar e matricula-se na Escola Superior de Guerra, onde chega ao posto de segundo-tenente. Em 1890, casa-se com Ana Emílio Ribeiro, filha do major Solón Ribeiro, uma figura de grande destaque na época. Ela foi o grande amor da vida de Euclides, com quem teria 4 filhos e o faria arriscar a sua própria vida.
Com o passar do tempo, foi se destacando na Escola Militar, até o ponto em que chegou a se tornar primeiro-tenente e com o direito de pedir a Floriano Peixoto qualquer cargo no governo. Nascem seus três filhos com Ana: Sólon (em 1895), Euclides Filho (em 1895) e Manuel (em 1901). Ao lado, a foto de Sólon e Euclides Filho, que tinha o apelido de "Quidinho", ainda crianças.
Em 1897, escreve dois artigos, com o título "A Nossa Vendéia", sobre o conflito em Canudos para o Estado de S. Paulo e é convidado por Júlio Mesquita para ser correspondente do jornal e cobrir a revolta. A partir de então, passa a estudar a geografia e a população que morava no local, com um olhar diferente sobre o que estava acontecendo naquela pequena cidade da Bahia. O resultado do conflito foi o extermínio dos habitantes de Canudos, que lutaram bravamente até o fim contra o regime republicano, liderados pela poderosa figura de Antônio Conselheiro (imagem acima).
Com toda a pesquisa, Euclides publica a obra Os Sertões (imagem da 1ª edição ao lado), divida em 3 partes: A Terra (com um relato minucioso da morfologia e geologia de Canudos), O Homem (uma descrição de como era o povo que vivia ali) e A Luta (narra todo a guerra e todas as expedições militares realizadas para derrotar o povo de Canudos). Com a boa recepção da crítica, passa a integrar a Academia Brasileira de Letras e é nomeado chefe da Comissão Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus.
MORTE
De acordo com algumas fontes, Ana Emília apenas havia se casado com Euclides devido ao fato de ele ter confrontado o ministro da Guerra no episódio em que foi preso. Mesmo assim, os dois mantinham um bom relacionamento. O grande problema era o fato de o escritor nunca ficar muito próximo da esposa, diante de tantos trabalhos, como a cobertura da revolta de Canudos. Nessas indas e vindas, Ana conheceu um simpático tenente chamado Dilermando de Assis (foto acima), indicando-lhe um quarto na Pensão Monat, onde passam a se encontrar. Euclides descobre a traição da mulher e tenta reconciliar-se. Mesmo com isso, Ana continua se correspondendo com Dilermando e com ele tem 2 filhos: Mauro e Luiz. Euclides começa a enlouquecer diante dos fatos, tanto que tranca Mauro em um quarto e o impossiblita de ser amamentado e a criança morre com apenas sete dias de vida. O segundo filho de Ana e Dilermando não tem o mesmo destino e fica longe das mãos de Euclides.
O ponto final dessa história ocorre quando Ana insiste em separação. Com isso, Euclides parte para a casa do Dilermando com o intuito de "matar ou morrer". Ao encontrar com os dois juntos, não pensa duas vezes e tenta atirar no amante da esposa. Só que ele acaba acertando o irmão do tenente e perdendo o duelo, morto a tiros no Rio de Janeiro no fatídico dia 15 de agosto de 1909.
Mais tarde, Euclides da Cunha Filho, ao completar 19 anos, decide se vingar da morte do pai. Enquanto Dilermando se encontrava em um Cartório no Rio de Janeiro é ferido por tiros disparados pelo garoto. No entanto, mesmo ferido acaba atirando em Euclides Filho e o assassinando. Mesmo assim, Ana continuou com o novo marido por 14 anos, que foi absolvido da morte do pai e do filho. Uma tragédia que acabou virando minissérie da Rede Globo em 1990, chamada Desejo, escrita por Glória Perez e dirigida por Wolf Maia. Protagonizada por Vera Fischer, que vivia Ana, e Guilherme Fontes, que era o Dilermando. Veja abaixo a cena do assassinato de Euclides da Cunha, vivido pelo grande Tarcísio Meira.
Fonte: http://entrevendo.blogspot.com/2009/08/ha-100-anos-atras.html
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