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Variedades

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12-06-2010 - Origem de Várzea Alegre-CE
VARZEA-ALEGRE.
Os irmãos portugueses Capitão Agostinho Duarte Pinheiro e o Alferes Bernardo Duarte Pinheiro, associados ao cearense Vasco da Cunha Pereira, solicitaram umas datas de sesmarias as margens do riacho do Machado. Por despacho de 23 de fevereiro de 1718 foi-lhes concedido a data citada numa extensão de nove léguas, com uma légua para cada lado do riacho. Dois anos depois acompanhados de familiares resolveram fazer uma excursão a propriedade. Quando chegaram no local onde existia uma lagoa, toda circundada por floresta virgem, ficaram a contemplar aquela paisagem maravilhosa escutando o cantar de pássaros que voavam nos galhos de arvores frondosas. Admirado com aquele magnífico panorama um dos componentes proferiu essa concisa e significativa frase: Mas que Várzea-Alegre! Sendo sugerida a escolha do nome da fazenda. O Capitão Agostinho retornou para Portugal e o Alferes Bernardo permaneceu na localidade que nunca mudou de nome até hoje. De Raimundo Duarte Bezerra, papai Raimundo, neto do português descende grande parte da população de Várzea-Alegre. Os seus filhos Major Joaquim Alves Bezerra e o Major Ildefonso Correia Lima tiveram grande participação e influencia na historia de Várzea-Alegre e Lavras da mangabeira. O Major Joaquim Alves Bezerra nunca se afastou do município de Várzea-Alegre, ele e seus descendentes eram pessoas pacatas, calmas e não há registro de contendas ou desavenças em suas trajetórias de vida. Os seus descendentes ocuparam o executivo municipal desde a criação do município em 10.10.1870 até o ano de 1962, quase cem anos. O Major Ildefonso Correia Lima matrimoniou-se com Dona Fideralina de Lavras da Mangabeira. Deste casamento originou-se uma das famílias mais tradicionais e importantes do Ceara. Conhecida nos segmentos do direito, política, cultura, economia e valentia. Conta-se que por obra do diabo é que Lampião foi parar por aquelas bandas. Em Várzea-Alegre foi recebido com honras e festas. Foram três dias e três noites de dançaa. Um fiota das bandas do sitio Cristo Rei, dançava solto que parecia uma carrapeta, quando Lampião perguntou quem é você? Se identifique cabra? Ele se engasgou e respondeu: sou o finado Zezin! Já um sujeito desassombrado das bandas do Sanharol, fumava seu cigarro de fumo brabo, parecendo mais um tirador de abelha, ao ser perguntado por Lampião: Você fuma cabra? Respondeu: fumo mais se seu Lampião quiser eu largo agora mesmo! Não rapaz eu quero é um cigarro! O medo foi tamanho que não conseguiu fechar o fumo na palha de milho.
De passagem por Lavras da Mangabeira a conversinha foi outra. Quando a bala cantou Lampião meteu a cara no mato como era costume fazer sempre que o perigo o ameaçava. E já um pouco distante os seus capangas cantavam:
Nós íamos relando o chão, Temendo a bala ferina. Mas quando Lampião viu Que lá havia ruína Correu com medo dos cabras, De Dona Fideralina.
E já no Barro, mais distante ainda, cantavam:
Bem que Lampião dizia, Que deixasse de asneira. Que passasse bem longe De Lavras da Mangabeira.
Antonio Alves de Morais
Várzea Alegre é possivelmente a mais bem humorada cidade do Cariri. Difícil ver um varzealegrense trombudo , de cara amarrada. Qualquer rodinha de praça, basta se acercar para se perceber alguém contando uma potoca, uma presepada e rindo da própria desgraça ou do infortúnio alheio. Talvez por isto mesmo seja seu povo tão umbilicalmente ligado à sua vilinha. O sujeito ganha o mundo – e nossos varzealegrenses têm esta sina de judeu --- mas simplesmente nunca em verdade sai da beira do Riacho do Machado. Qualquer oportunidade está de volta. Ganha um dinheiro a mais e retorna, às carreiras, para aplicar na terra prometida. Férias ? Que diabos de Europa lá nada ! Pica à toda para a deliciosa terra de Papai Raimundo. Por nunca abandonar emocional e espiritualmente a terra natal, varzealegrense que se preza, também, não se contamina com sotaques alienígenas. Conheci caboclo que saiu ainda menino do Sanharó, para São Paulo e depois de quarenta anos distante do torrão natal, falava o bom e adocicado dialeto nordestino, sem história de “uais” e de “carambas”.Talvez por isto mesmo a vila conserve, historicamente, o mais animado carnaval caririense . É que o Reino de Momo carece de despojamento, de irreverência, de alegria. Várzea Alegre é o Cariri com os dentes à mostra, o sorriso escancarado do Sul do Ceará. A cidade ri primeiramente dos seus contrastes. E nisso se mostra única. Estes contrastes são escarafunchados por todos e guardados cuidadosamente no baú da memória popular. Dizem que começa já pelo nome: não é Várzea e nem Alegre. Aí segue um sem número de disparidades. A porta da catedral é de ferro e a da prisão , de madeira. O cabaré fica na Rua da Paz e o presídio na da Liberdade. A cafetina mais famosa daquelas paragens se chamava Maria Justa e as meretrizes mais perseguidas carregavam nomes que beiravam à santificação: “Santinha”, “Mocinha” e “Das Virgens”. Num dos bares mais importantes da cidade ( pasmem vocês) ocorreu um incêndio na geladeira e que só foi apagado, pela improvisada brigada de incêndio local, quando se utilizou um tamborete. Anos atrás na Semana Universitária Varzealegrense ( SEMUVA) organizaram um campeonato de futebol de salão e sabem quem ganhou ? O valoroso Time do Mobral. Não bastasse isso, anos atrás, o rabecão da polícia chegou com a placa de Boa Viagem: o sujeito preso dentro, na maior sugesta, e aquela placa desejando estranhamente uma Boa Viagem ! Em tempos passados, quando juiz era um cargo eminentemente masculino, a cidade tinha a sua primeira juíza e também o querido Padre Otávio que já viúvo se ordenara. Alguém vindo do sítio queria falar com o juiz e disseram, para sua surpresa, que ele não podia atender pois estava na Maternidade, buscou o padre na igreja e quase cai quando lhe informaram que ele tinha ido deixar os filhos na escola. “Zé Grande” é um dos anões da vila e “Meninim”, um gigante que poderia jogar num time de basquetebol americano. Estes contrastes se apinham aos montes e dariam um livro volumoso que ainda precisa ser cuidadosamente compilado. A cidade assim vive prenhe de figuras irreverentes e espirituosas de chiste armado, de piada na agulha. Lembro de uma infinidade deles: O velho Vicente Vieira, Zé Odimar , Zé Clementino, Zé Gonçalves, Emílio Alves Ferreira, Henrique Hipólito, Neguim, os dois Manuéis Vieira, André e Joãozinho Batista, Assis Monteiro, Zé Vieira, Padre Vieira, Expedito e Afonso Salviano, Jotinha, Zé Bedeu e tantos, tantos outros que ajudaram a tornar esta vida menos pesada , menos séria e menos chata. Afinal não se deve levar em alta consideração uma viagem sem volta em que começamos a primeira estação nus e chegamos à última de alforjes perfeitamente vazios. Em homenagem a tantos humoristas do nosso cotidiano é que vou narrar os dois últimos contrastes da querida terrinha. O primeiro vem do Sítio Calabaças. Dois amigos ali viviam e eram mais desmantelados do que carga de fato em cambito. Jesus e Pedro gostavam e ir a uns sambinhas juntos e ,de vez em quando, corria uma mão de lambedeira. Bastava uma dama saltar um cavaleiro. Dia desses , nosso Jesus resolveu tirar uma moça para dançar e ela recusou sob a clássica alegativa de cansaço. Não bastasse este desaforo, caiu na besteira de aceitar, logo depois, ir saracotear no salão com um outro par. Com a impensável agressão, abriu-se, de imediato o arranca-rabo e o saldo foi terrível. Pedro matou um dos combatentes e Jesus cortou a orelha do sujeitinho que resolveu lhe desacatar bailando com a moça. No outro dia, o comentário era geral. Em Várzea Alegre, tudo é diferente: na Galiléia o discípulo Pedro cortava a orelha de soldado e Jesus emendava. Aqui Pedro mata o povo e Jesus corta orelha !
Outra. Recentemente um rapaz retornou a Várzea Alegre, trazendo alguns cobres do Sul e resolveu investir na sua terra natal. Montou uma Casa de Eventos. Na realidade uma latada grande, cujo cordão de isolamento era uma cerca de grossas estacas e com nove fios de cordas de nylon que envolviam toda área da Casa. Pois bem, no sábado houve , por fim, a inauguração. Uma festa de arromba , com dois sanfoneiros , trianguistas, zabumbeiros. De repente, começou um vuco-vuco no meio da latada. Empurra daqui, tapa dali, um dos agressores tentou puxar uma faca da cintura, só que sacou junto com bainha . No meio do sururu, a faca caiu no solo, antes de ferir alguém. Vários competidores pularam no chão tentando pegar a arma branca. Enquanto isto o povaréu tentava fugir da confusão, mas como ? As fortes cordas da cerca de isolamento não deixavam. No puxa-empurra-derruba um sujeito consegui pegar a lâmina e um outro ficou só com a bainha. O que estava apenas com a bainha deu de garra de uma cadeira de Bodocó e lascou na cabeça de um dos brigões. Bateu seco e o cabra caiu revirando os olhos e no mesmo dia fez a viagem derradeira. Já o que pegou a lambedeira, correu, cortou as cordas e liberou todo o povo que angustiado tentava escapar da batalha. No outro dia, os comentários na cidade resumiam perfeitamente a vocação contrastante de Várzea Alegre. --- Rapaz, só em Várzea Alegre mesmo ! O cabra que tinha a bainha matou um , já o que estava com a faca, salvou todo mundo. Pode ?
J. Flávio Vieira
Considerada a obra do século para Várzea Alegre, a urbanização da lagoa é um desejo antigo dos moradores
Várzea Alegre. Um sonho antigo dos moradores desta cidade, na região Centro-Sul, começa a ser realizado: a urbanização da lagoa de São Raimundo Nonato, localizada nas margens da rodovia CE-060, conhecida Estrada do Algodão. A ordem de serviço para construção da primeira etapa da obra foi assinada pelo governador Cid Gomes e pelo prefeito Zé Hélder em solenidade realizada ao lado da lagoa.
A presença elevada do público reflete a importância do projeto para a população local. Considerada a obra do século para a cidade, a urbanização da lagoa São Raimundo Nonato, padroeiro do município, é um desejo antigo dos moradores. Além de permitir o saneamento do lago que deu origem à cidade, haverá mudanças na estrutura urbana, no tráfego de veículos, no acesso ao bairro Vazante, criação de áreas de lazer cultural, religioso, esportivo e abre possibilidades de loteamento residencial.
O projeto faz parte do Monitoramento de Ações Prioritárias (MAPP) da Infra-Estrutura, Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Estado. A obra será executada em parceria entre o governo do Estado, por meio da Secretaria das Cidades, e a Prefeitura de Várzea Alegre. Nesta primeira etapa, serão investidos R$ 2,5 milhões. O projeto é da empresa Novaes Arquitetura e será executado pela empreiteira Teixeira Construções.
Na obra de urbanização estão previstos a instalação de equipamentos como três quiosques, 14 caramanchões, marco estrutural, estátua de São Raimundo Nonato, museu histórico, quadras esportivas, anfiteatro, plano de paisagismo, deck, um mirante, avenida, pavimentação e piso. Com instalações telefônicas, elétricas, hidráulicas e sanitárias serão investidos cerca de R$ 300 mil.
De acordo com o governador Cid Gomes, “essa é uma obra que realizo com muito orgulho e carinho pela importância que tem a Lagoa São Raimundo para Várzea Alegre. É gratificante vir anunciar a concretização de um sonho da população”.
Novo espaço
A urbanização da lagoa vai beneficiar todo o município que, com a conclusão das obras, terá um novo espaço de lazer e turismo. Para o prefeito José Hélder, o projeto de infra-estrutura é o maior presente que Várzea Alegre pode receber, já que o município nasceu no entorno do reservatório. “Esse é mais do que um projeto estruturante”, disse. “É uma obra que vai resgatar a história e a origem de Várzea Alegre”, destacou.
O município surgiu no entorno da lagoa. Séculos passados, a área era denominada de vazante porque era totalmente utilizada para o plantio de arroz. O espaço assinala a origem da cidade, com o núcleo da família Bezerra. Mais tarde receberia a denominação de São Raimundo Nonato, numa clara homenagem dos católicos ao padroeiro do município.
Com o passar dos anos, a lagoa recebeu a conseqüência do crescimento urbano desordenado. Ligações clandestinas de esgoto foram feitas e o lago, que antes era utilizado como área de banho e de passeio de canoa, ficou poluído. Depositaram também entulho e lixo. Um dos objetivos do projeto é a implantação de rede de esgotamento sanitário no local.
“Obra do Século”
O empresário Carlos Kléber Correia considerou a urbanização da lagoa como “obra do século”, que vai modificar o perfil urbano, trazer o crescimento e melhoria de vida dos moradores. O vice-prefeito, Tibúrcio Bezerra, disse que o projeto representa um marco para Várzea Alegre. “É o resultado da mobilização de uma administração e o empenho do governador Cid Gomes para tornar esse nosso sonho possível”.
Honório Barbosa Repórter
SEGUNDA ETAPA
Obra favorece integração urbana
O projeto será por etapas. Em um segundo momento, vai garantir a ligação do centro com os bairros Vazante e Juremal
Várzea Alegre. A rodovia CE-060 divide o centro urbano de Várzea Alegre e a lagoa de São Raimundo Nonato. Cria um espaço de separação. O projeto de urbanização objetiva integrar esses dois núcleos. A construção de uma nova avenida, prevista na segunda etapa da obra, vai garantir a ligação do Centro com os bairros Vazante e Juremal.
O prefeito Zé Hélder disse que encaminhou ao Ministério das Cidades projeto para obter recursos para a continuidade da obra. Na segunda etapa, será contemplado o museu do Papai Raimundo, fundador de Várzea Alegre, com salas para exposição de obras do escritor e padre Antônio Vieira, e do compositor do Baião, Zé Clementino, além de áreas para práticas de esporte.
O nome Várzea Alegre pressupõe a existência de várzeas, áreas úmidas, baixas e alagadas. Esse quadro resulta numa área restrita de ocupação urbana, sem espaço de lazer para os moradores. A importância do projeto é a união entre o centro urbano e áreas hoje pouco povoadas, além de oferecer um espaço novo de prática de esporte, lazer social, cultural, religioso e abrir possibilidades para o turismo.
“O projeto trará uma melhoria fantástica na infra-estrutura urbana”, prevê o arquiteto, Rodrigo Rolim, um dos autores do projeto, da empresa Novaes Arquitetura. O engenheiro, Antônio Luís, da Teixeira Construções, empresa responsável pela obra, explicou que o trabalho começa com o levantamento topográfico da área. “Já estamos com equipe em campo”.
O projeto aquitetônico de urbanização da lagoa é de autoria do escritório Novaes Arquitetura. Um dos autores é o arquiteto Rodrigo Rolim, nascido em Várzea Alegre. “Foi uma das diretrizes do meu trabalho de graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFC. O objetivo é preservar o espelho d´água, ter alternativa de lazer, prática de esporte, atrativo turístico e criação de um espaço de mobilização urbana e de bem-estar da comunidade”, ressaltou.
A idéia inicial ganhou novas dimensões e o esboço foi recriado, com a participação de outros arquitetos. O projeto divide a lagoa em três núcleos: lazer e religioso, com marco, monumento e estátua em honra ao padroeiro São Raimundo Nonato; espaço cultural, com anfiteatro; e, por último, área esportiva, com quadras, campos e pistas.
O projeto será implantado por etapas. A primeira contempla o núcleo de lazer e religioso, com amplo calçadão. Os moradores estão animados com o início da obra de urbanização. “É o nosso sonho”, disse a comerciária, Lúcia Souza. A pequena empresária, Fátima Morais, que reside no entorno da lagoa, prevê que a cidade ficará bela. “Espero que a obra seja feita de forma igual como está na maquete e tudo isso aqui ficará muito bonito”. Ela mostrou preocupação, porém, com a possibilidade de construção de novos imóveis, favorecido por parte do aterro.
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