|::| Home 
.......................................
|::|Variedades 
.......................................
|::| Obras do Poeta - Ler 
.......................................
|::| A Poesia do Poeta - Ler 
.......................................
|::| O poeta em fatos e fotos 
.......................................
|::| Link´s 
.......................................
|::| Videos 
.......................................
|::| Mural de Recados 
.......................................
|::| Fale com o Poeta - E-mail 
.......................................
|::| Livraria Virtual do poeta 
.......................................
|::| Fotos de Rondônia 
.......................................
|::| Rondônia/Municípios - Ler 
.......................................
Variedades




19-04-2010 - Aniversário do rei da música pop brasileira

Para o rei do pop brasileiro, aniversário vale turnê
 
Larry Rohter
 
Ricardo Matsukawa/Terra
Roberto Carlos faz apresentações nos EUA

 

Roberto Carlos vem sendo uma presença tão grande na música pop por tanto tempo que, quando ele surgiu, levava o apelido de "Elvis Presley brasileiro" e chegou a abrir um show de Bill Halley and his Comets em seu país. Mas passados 50 anos, 120 milhões de cópias vendidas e diversas viradas de estilo, ele agora costuma descrito como "o Frank Sinatra da América Latina".

Nenhum músico latino-americano vendeu mais discos que Roberto Carlos, que se apresenta sexta-feira e sábado à noite no Radio City Music Hall, em Nova York, como parte de uma turnê norte-americana que encerra um ano de eventos em comemoração ao seu meio século de carreira fonográfica. Se convidado a explicar o segredo de seu longo sucesso, a resposta indica seu gosto e personalidade camaleônicos.

"Ouço e gosto de todo tipo de música, de bossa nova ao country, e de vez em quando corro riscos", disse o cantor, que completou 69 anos na segunda-feira, em uma entrevista por telefone de sua casa, no Rio de Janeiro. "Mas o rock, aquela batida e aquela instrumentação, sempre faz parte do meu estilo, ainda que agora de maneira um pouco mais suave".

Nascido Roberto Carlos Braga, em uma pequena cidade do interior do Brasil, ele cantou pela primeira vez em uma rádio local aos nove anos de idade. Inspirado por Presley e Little Richard, se mudou para o Rio de Janeiro na adolescência, cantando e tocando guitarra em bandas com nomes como Os Sputniks, até que conseguiu um contrato de gravação como artista solo.

Naquele estágio inicial, como líder do que veio a se tornar o movimento da Jovem Guarda, Roberto Carlos conquistou alguns de seus maiores sucessos com covers em português de sucessos rock e pop norte-americano, canções como Splish Splash, Road Hog, Unchain My Heart, Alley-Oop e The Wanderer. Mas, por volta de 1965, ele começou a se afirmar como compositor dotado de raro senso quanto ao que atrairia o público comprador, em geral trabalhando com um parceiro e colega de banda dos anos de adolescência, Erasmo Carlos Esteves.

A parceria continua até hoje, e resultou em mais de 500 canções, dezenas das quais foram gravadas também por outros artistas. Os críticos brasileiros comparam a dupla a Lennon e McCartney, não só em termos da vasta produção mas pelo contraste em estilo e gosto entre os dois.

"Eles já não convivem tanto, mas existe uma química quase perfeita entre os dois", diz Paulo César Araújo, autor da biografia Roberto Carlos em Detalhes. "Erasmo tem um lado mais pesado, com o rock pulsando em suas veias, e Roberto tende a ser mais suave e romântico".

Na metade dos anos 60, Roberto Carlos também começou a gravar em espanhol, de olho no mercado da vizinha Argentina. Mas, à medida que evoluía como cantor romântico, apreciador de Sinatra e Tony Bennett, e de boleros e outros estilos sentimentais latinos, sua popularidade disparou em toda a região, chegando até ao México e fazendo dele um grande rival de Julio Iglesias.

Desde os anos 70, as mais populares composições de Roberto Carlos, tais como Detalhes, Amada Amante e Café da Manhã, vem sendo baladas românticas, e não rocks como Quero que Tudo Mais Vá pro Inferno, um de seus primeiros sucessos, ainda popular no repertório de bandas punk. Amigo, outro grande sucesso, era uma das canções favoritas do Papa João Paulo 2°, muitas vezes tocada durante suas visitas à América Latina, algo que o cantor considera como especialmente satisfatório. "Sou religioso, sou católico, e gosto de mensagens", diz.

Mas mesmo quando ele canta uma canção animada, sua voz mostra um traço de melancolia. A vida de Roberto Carlos não foi fácil; ele perdeu parte de uma perna em um acidente ferroviário quando criança; seu filho, Roberto Jr., é cego; e em 1999, sua terceira mulher, Maria Rita, a quem ele definia como o amor de sua vida e inspiração de suas mais românticas canções, morreu de câncer aos 38 anos de idade.

Em algum momento dos anos 90, Roberto Carlos também caiu vítima de um distúrbio obsessivo-compulsivo. Isso o impede de cantar alguns de seus maiores sucessos, que contêm palavras que se tornaram tabu para ele, a exemplo de "mal" ou "mentira", e reforçou suas manias de palco, como a de só cantar diante de cenários azuis e sempre se vestir de branco.

Mas em 2004 ele admitiu publicamente o seu problema, revelando a uma revista brasileira que "minhas manias estão me causando desconforto", e anunciando que estava passando por um tratamento. Talvez como resultado, nos últimos anos suas apresentações ao vivo parecem ter recuperado o vigor.

"Sempre me sinto confortável no palco, e nunca pensei que o distúrbio obsessivo-compulsivo me atrapalhasse lá em cima", ele disse, quando perguntado sobre o problema. "É verdade que deixei de cantar algumas canções e que em outras eu evitava certas palavras da letra e tinha de encontrar substitutas. Mas voltei a cantar muitas delas, e espero um dia poder cantar todas".

Seu estilo de vida continua a ser discretíssimo, no entanto, a ponto de ele ter recorrido à Justiça alguns anos atrás para bloquear a publicação do livro de Araújo, alegando invasão de privacidade. O cantor vive em um bairro não muito elegante, perto do sopé do Pão de Açúcar, e evita tão assiduamente comparecer a shows alheios, partidas de futebol e outros eventos que, quando decide sair de casa, a ocasião sempre se torna notícia.

"Sei que, quando saio, sempre vou encontrar o afeto do público, e encaro essa situação com serenidade", diz. "É preciso ver as coisas de maneira positiva. Mas todo mundo gosta de alguma privacidade, de ter sua liberdade, e tento preservar a minha, também".

Antes da turnê de aniversário, o projeto mais recente de Roberto Carlos havia sido uma colaboração com Caetano Veloso em um tributo à bossa nova gravado ao vivo. O show, lançado em CD e DVD, homenageava o compositor Antônio Carlos Jobim. Veloso, fundador do movimento tropicalista, é um artista muito querido da crítica, elogiado por suas tendências vanguardistas e experimentação constante. Isso pareceria colocá-lo em um campo estético distinto, mas sempre menciona Roberto Carlos como uma de suas maiores influências.

Em seu livro de memórias, Verdade Tropical, por exemplo, Veloso define Roberto Carlos como "o rei", e o descreve como "a presença simbólica do Brasil". Também elogia algumas das composições de Roberto Carlos na juventude como tão boas quanto o trabalho dos Beatles ou Rolling Stones, com a diferença de que a banda original do cantor tinha um som mais funk, "mais próximo à Motown ou James Brown do que a um grupo de rock inglês".

Para Roberto Carlos, o projeto de tributo à bossa nova representou um retorno às suas raízes, e aparentava prenunciar nova mudança de estilo. "Foi um marco", disse Nelson Motta, compositor, produtor e escritor que recorda ver o cantor no início da carreira, quando ele era criticado como clone de João Gilberto, o inventor do contido estilo de canto da bossa nova.

"É preciso ser muito bom, ter um talento muito forte, para receber críticas por isso", disse Motta. "É como ser acusado de copiar Pelé quando você joga futebol. Roberto sempre teve aquele temperamento e voz bossa nova, aquela coisa contida, mas porque a bossa nova o rejeitou, decidiu tentar o rock. Ele passou por uma fase ruim, com todos aqueles discos românticos e religiosos, mas agora o vejo revivido e reanimado, e isso me deixa ansioso para ouvir seu próximo disco de composições próprias".
 

The New York Times


 

Leia mais +

WebMail
Nome:
Senha:  
 
 

Desenvolvido e gerenciado por ackp

Este site é um projeto cultural sem fins lucrativos.
A veiculação de textos, voz e imagem não é remunerada.
As idéias e opiniões expostas por colaboradores e homenageados podem não ser necessariamente as mesmas do Editor.
O site respeita a liberdade de expressão e a pluralidade de comportamentos.


Copyright © 2004 - Todos os direitos reservados.